Nos campos de concentração alemães

Os prisioneiros usavam distintivos, cosidos nas roupas — um número de série e um triângulo colorido no lado esquerdo do peito e na perna direita das calças. Em Auschwitz [o maior de todos, onde foram exterminadas milhões de pessoas], o número de série era também tatuado no antebraço esquerdo. Triângulo vermelho para os presos políticos e verde, com um S sobreposto, para os criminosos. Roxo para as Testemunhas de Jeová, cor-de-rosa para os homossexuais, preto para ciganos, mendigos e desocupados (ou marrom, dependendo se estivesse em curso alguma campanha do governo nazista de erradicação dos “elementos itinerantes”).

Os judeus tinham de usar, além de outras marcas distintivas, dois triângulos amarelos sobrepostos formando a estrela de David. Todos os racialmente impuros, judeus ou não, que tivessem cometido infração contra o Código Racial, ostentavam um círculo negro ao redor ou superposto a um triângulo verde ou amarelo. Quando o prisioneiro era estrangeiro, no triângulo havia uma letra: F para os franceses, R para os russos etc. Presos políticos especiais, detidos logo quando a guerra começou, porque os nazistas não tinham certeza de sua lealdade, tinham um número de série impresso sobre o triângulo. Outros, presos no decorrer da guerra, tinham um K (Kriegsverbrecher, criminoso de guerra) impresso no triângulo. Esses presos ficavam isolados em colônias penais, mesmo quando seus crimes não eram graves. Para essas colônias eram também enviados os que estivessem confinados muito tempo nos campos. No final, poucos sobreviveram.

Havia também os condenados a serem “disciplinados pelo trabalho” — tinham um A (Arbeit, trabalho) branco impresso nos seus triângulos negros. Na roupa de alguns, havia cír-culos vermelhos e brancos costurados ou pintados, no peito e nas costas, sempre que a admi-nistração do campo desconfiava que estivessem planejando uma fuga. Os retardados tinham uma faixa no braço direito e, pendurada no pescoço, uma plaquinha com a inscrição “Sou um imbecil”. Vagavam a esmo pelos campos, para que divertissem os nazistas e servissem de vítima de brincadeiras estúpidas. Os subversivos, opositores ao regime, freqüentemente também usa-vam essas mesmas marcas distintivas. Quase todos foram mortos.

Publicado por peddyscuro

“I wish Pedro to retain, and deepen, and continue to savor his commendable thoughtful and illusion-free, while understanding and forgiving, even if hardly ever reconciled, stance towards our human condition!” Zygmunt Bauman, professor emeritus of the universities of Leeds and Warsaw.

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