O genocídio do Caldeirão

O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto foi um movimento popular que surgiu nas terras do Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo beato José Lourenço e foi alojada numa fazenda pelo Padre Cícero. No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma cota da produção. Cada família tinha sua casa e órfãos eram afilhados do beato. A comunidade era pautada no trabalho, igualdade e fé. O excedente era vendido e, com o lucro, investia-se em remédios e querosene.
Em 1937, sem a proteção de Padre Cícero, que falecera em 1934, a fazenda foi invadida e destruída por grandes latifundiários e pelo bravo Exército de Caxias, que acusavam a comunidade de “comunismo”.

IDERVAL TENÓRIO: O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no ...

Os sertanejos sobreviventes dividiram-se, ressurgindo novamente pela mata em uma nova comunidade, que em 11 de maio foi invadida novamente, dessa vez por terra e bombardeada pela FAB, quando aconteceu um grande massacre, com o número oficial de 400 mortos (outras estimativas, entanto, chegam a mais de 1000). Os familiares e descendentes dos mortos nunca souberam onde encontram-se os corpos, pois o Exército Brasileiro e a Polícia Militar do Ceará nunca informaram o local da vala comum na qual os seguidores do Beato foram enterrados. Presume-se que a vala coletiva encontra-se no Caldeirão ou na Mata dos Cavalos, na Serra do Cruzeiro (região do Cariri).
José Lourenço fugiu para Pernambuco, onde morreu aos 74 anos, de peste bubônica, tendo sido levado por uma multidão para Juazeiro, onde foi enterrado no cemitério do Socorro.

A ONG SOS Direitos Humanos entrou com uma ação civil pública no ano de 2008 na Justiça Federal do Ceará, contra o Governo Federal do Brasil e Governo do Estado do Ceará, requerendo que o Exército Brasileiro:
a) torne público o local da vala comum,
b) realize a exumação dos corpos,
c) identifique as vítimas via exames de DNA,
d) enterre os restos mortais de forma digna,
e) indenize no valor de R$ 500 mil, todos os familiares das vítimas e os remanescentes,
f) inclua na história oficial, à título pedagógico, a história do massacre / chacina / genocídio do Sítio da Santa Cruz do Deserto, ou Sítio Caldeirão.
A pedido do Ministério Público Federal da cidade de Juazeiro do Norte, a ação foi extinta sem julgamento de mérito pelo juiz da 16ª Vara Federal de Juazeiro do Norte.

Fortaleza em Fotos e Fatos: O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto

Publicado por peddyscuro

“I wish Pedro to retain, and deepen, and continue to savor his commendable thoughtful and illusion-free, while understanding and forgiving, even if hardly ever reconciled, stance towards our human condition!” Zygmunt Bauman, professor emeritus of the universities of Leeds and Warsaw.

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